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Eu tinha cinco anos; limitei-me a sorrir, sem responder nada. Em um golpe em uma vertical perfeita, tentou acertar Ronan, que nem sequer usou sua espada para bloquear. Sempre com os olhos fixos no livro, ela respondia-me com uma voz monocórdica, quase sem articular as palavras, como se estivesse adormecida: - Sobre que queres falar? Todos chocados olhando os acontecimentos. Se a cabeça cai, o corpo todo perece. Ele sorriu de lado, tentando demonstrar confiança. Queria perguntar-lhe o que devia fazer para ser modelo.

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À noite dormíamos ao relento, e as crianças apertavam-se umas contra as outras sobre uma esteira. O meu pai dormia à parte; era o nosso guarda, o protector da família. A nossa primeira tarefa consistia em dirigirmos-nos para a cerca onde os animais estavam guardados e tratar deles.

Eu estava encarregada de tratar das vacas, de guardar uma parte da ordenha para fazer manteiga, mas deixava leite suficiente para as crias. O abate de animais por causa da carne era considerado um desperdício e apenas recorríamos a isso em caso de urgência ou em ocasiões excepcionais como um casamento.

Os nossos animais eram demasiado valiosos para os matarmos ou comermos. As crianças mais novas podiam fazê-lo, mas as mais velhas conheciam as regras: íamos simplesmente deitar-nos. Sabíamos que as nossas vidas dependiam das forças da natureza, e só Deus controlava essas forças. Quando o meu pai trazia um saco de arroz, era um verdadeiro acontecimento, o que os habitantes de outras partes do mundo consideram uma festa.

Reduzíamo-lo a farinha para o transformar em papa de aveia, ou fazíamo-lo estalar num recipiente sobre o fogo. Desde os seis anos de idade fiquei encarregada de cuidar de rebanhos com sessenta ou setenta ovelhas e cabras. Se algum deles se afastava do rebanho, utilizava o cajado para o reconduzir ao caminho certo. Eles estavam impacientes porque sabiam que sair da cerca significava que chegara o momento de comer. Além disso, temia que o terreno seco absorvesse tudo à medida que o sol se tornava mais quente.

Na época da seca, o mais triste era ver os animais morrerem. O rebanho tentava seguir-nos, mas acabava por desistir. Por instinto de sobrevivência, aprendera a reconhecer os sinais indicadores de chuva, 20 perscrutava o céu à procura de nuvens.

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As hienas aproximavam-se furtivamente e saltavam sobre um cordeiro ou um cabrito tresmalhado do rebanho. Observando o céu, calculava quando tinha de partir para estar de volta ao acampamento antes do cair da noite..

Mas muitas vezes enganava-me, e tive bastantes aborrecimentos. Nunca desistem antes de terem obtido algo. Uma noite contei as minhas cabras e compreendi que faltava uma. Voltei a contar, e contei ainda uma vez mais. Que hei-de fazer? Acontecesse o que acontecesse, tínhamos de continuar a tomar conta do gado: continuava a ser a nossa prioridade, apesar da seca, da doença ou da guerra. Um dia, quando eu tinha cerca de nove anos, um grande exército instalou o seu acampamento próximo do nosso.

Tínhamos ouvido contar histórias sobre soldados que violavam as raparigas sós, e eu conhecia uma a quem isso acontecera. Durante a noite, o exército montara o acampamento à beira da estrada; as tendas e os camiões estendiam-se a perder de vista. Pensava no que tinha acontecido à outra rapariga e estava aterrorizada. Detestei-os à primeira vista. Detestei os seus uniformes, os seus camiões, as suas armas.

Todas as noites, depois de ter voltado ao pôr-do-sol e de ter encerrado os animais na cerca, havia que tratar deles de novo. Se o meu pai me surpreendia nessas alturas, meu Deus! Eu gosto do meu pai, mas ele podia mostrar-se verdadeiramente duro. Quando me apanhava assim a dormitar, batia-me para me obrigar a levar o meu trabalho a sério e a aplicar-me ainda mais.

No entanto, o nosso maior prazer provinha do facto de sermos crianças que viviam em plena natureza, livres de fazer parte dela e de desfrutar da sua vista, dos seus ruídos e dos seus odores. Corríamos com as girafas, as zebras e as raposas. O hírax, animal do tamanho de um coelho que é um pequeno primo do elefante, era o nosso preferido. Uma vez descobri um ovo de avestruz. Alcançou-me e começou a picar-me a cabeça com o bico, ka-ka-ka. Pensei que ia quebrar-me o crânio como um ovo.

Como os leões, os macacos e os humanos, os elefantes vivem em comunidade. Eu aprendi coisas tristes sobre a minha família e sobre a vida. Deixou de chover, e tomar conta dos nossos animais tornava-se cada dia mais difícil. A vida era cada vez mais dura, e eu também endurecia com ela.

Mas eu fui incapaz de me mexer. Finalmente consegui partir a correr, mas sabia o que me esperava no meu regresso. Quando voltei com o leite, o bebé estava completamente imóvel e compreendi que estava morto. Durante algum tempo, acusou-me da morte da sua filha e acreditava que eu possuía poderes de feiticeira. Acreditava que eu causara a morte da criança ao pousar o meu olhar sobre ela enquanto estava em transe. Era extremamente inteligente, e todos os homens vinham pedir-lhe conselho.

Cada um à vez, sentavam o rapaz dos cabelos grisalhos nos joelhos e perguntavam-lhe: - Que tens a dizer sobre a chuva para este ano? Era uma criança, e no entanto nunca se comportou como tal. Como em qualquer família numerosa, cada um de nós desempenhava um papel. Como era um acontecimento raro termos arroz, eu comia bastante lentamente. Nunca tínhamos a certeza de termos comida suficiente, e sempre saboreei cada alimento com prazer. Sem reflectir, agarrei numa faca que se encontrava pousada ao meu lado e espetei a lâmina na coxa dele.

Ele gritou, mas arrancou a faca e espetou-a na minha coxa, exactamente no mesmo sítio. Uma das primeiras manifestações desse comportamento rebelde foi provocada pela minha vontade de possuir um par de sapatos. Toda a vida fui obcecada por sapatos. Quando era pequena, desejava desesperadamente um par de sapatos. Os meus pés estavam sempre feridos e marcados, e ainda hoje tenho cicatrizes negras.

Uma vez, um espinho atravessou-me o pé; outras vezes quebravam-se na minha carne. No entanto, devíamos continuar a andar porque tínhamos de cuidar dos animais. Eu era preferida para tomar conta das suas cabras porque fazia o meu trabalho de uma forma muito conscienciosa, certificando-me de que os animais estavam bem alimentados e bebidos, defendendo-os o melhor possível dos predadores.

Um dia, teria eu cerca de sete anos, o tio Ahmed visitou-nos e eu disse-lhe: - Gostaria que me comprasses um par de sapatos. Vou baixar-te um par de sapatos. Quando o tio Ahmed voltou a visitar-nos, eu estava bastante excitada porque chegara o dia em que ia finalmente ter o meu primeiro par de sapatos.

Estendeu-me um embrulho. E atirei-lhos à cara. É assim que educas esta criança? Depois gritei: - Trabalhei tanto e a recompensa é isto? Prefiro andar descalça; andarei descalça até sangrar em vez de usar esta porcaria! Entretanto, continuei a criar as cabras do tio Ahmed e a ajudar a sua família a tomar conta dos rebanhos, percorrendo milhares de quilómetros descalça. Ao anoitecer, costumava conversar com os meus pais quando, olhando para o céu e vendo surgir a brilhante maqa1 hihid, o meu pai disse que chegara a hora de recolher as ovelhas.

Guban respondeu: - Oh, deixa-me fazer isso por ti. Normalmente, eu teria de correr em todas as direcções como um animal 26 selvagem, mas começava a escurecer e, como estava um pouco receosa, permaneci junto de Guban. Vai escurecer e temos de apanhar os animais. Faremos isso num minuto. Aproximei-me com relutância. Guban bateu de novo no casaco: - Sim, se vieres sentar-te junto a mim. Quero que me contes uma história. Vou contar-te uma história. À medida que o céu passava de índigo a preto, as ovelhas corriam em círculo nossa volta, balindo no escuro, e eu esperava ansiosamente que a história começasse.

Ajoelhou-se entre as minhas pernas e levantou secamente o pequeno pedaço de tecido que eu tinha enrolado em volta da cintura. Subitamente fui inundada por um líquido quente, e um cheiro acre e nauseabundo espalhou-se no ar da noite.

Horrorizada, gritei: - Fizeste chichi em cima de mim! Levantei-me de um salto e esfreguei o meu lenço nas pernas limpando o líquido nauseabundo. Ele segurou-me no braço e murmurou-me num tom apaziguador: Calma calma. Tentava apenas contar-te uma história. Libertei-me bruscamente e corri para a tenda, com Guban. Ela perguntou-me, inquieta: - Que se passa, Waris?

Ele riu com desenvoltura e estendeu o braço para mim: - Oh, queria apenas contar-lhe uma história e ela teve medo. Observei o seu rosto sorrindo à luz do fogo, um rosto que veria ainda muitas vezes ao longo dos anos, e soube que o odiaria para sempre. Pronto, pronto. Era apenas uma história, meu bebé. A nossa língua, o somali, só se tornou língua escrita partir de , e nunca aprendemos a ler, nem a escrever. Como é que vamos comer? Próximo do final do dia, a minha sombra tornava-se mais comprida, advertindo-me de que era altura de partir para o acampamento antes do anoitecer.

O nosso tempo é muito diferente, o nosso ritmo é extremamente lento e calmo. Ainda hoje me recuso a usar relógio. Consequentemente, sei muito pouco sobre a história da minha família, tanto mais que parti de casa muito nova. A ideia de que posso nunca vir a conhecer toda esta história entristece-me bastante. Tinha cabelos compridos e lisos, muito macios, que alisava com os dedos; nunca a vi servir-se de uma escova.

Era alta e elegante, características que todas as suas filhas herdaram dela. O seu temperamento era calmo e pouco falador. Mas quando começava a falar, tornava-se irresistivelmente engraçada e ria muito.

Por exemplo, ela olhava para mim e dizia: - Por que é que os teus olhos desaparecem na tua cara?

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Os seus cabelos eram castanhos e os seus olhos de um castanho claro. Tendo consciência da sua beleza, era bastante vaidoso. E anunciava o que desejava. Amavam-se verdadeiramente, muito, mas um dia, infelizmente, as suas ameaças concretizaram-se. O meu pai era um nómada e sempre vivera percorrendo o deserto.

Rapidamente haviam decidido casar-se. De maneira nenhuma! Tinham partido para a outra ponta do país e haviam vivido no deserto com a família do meu pai, o que causara bastantes problemas. Este orgulho tribal tem sido a origem de bastantes guerras ao longo da nossa História. Quando eu fugi e me vi separada da minha família, compreendi o que deve ter sido a sua vida, sozinha entre os Daaroods.

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Agora que sou adulta, compreendo melhor o que representou para ela trazer doze crianças ao mundo. Depois voltava, com um bebé nos braços. Ela teve de caminhar quatro dias pelo deserto, carregando o recém-nascido, antes de encontrar o seu marido. Quando era pequena, queria estar sempre junto dela, e ansiava por chegar a casa para ir sentar-me ao seu lado e senti-la acariciar-me a cabeça.

Um dia, o meu desejo de estar junto dela e a minha natural curiosidade infantil impeliram-me a segui-la secretamente. Uma vez por mês, ela abandonava o acampamento e partia sozinha durante a tarde.

Ela encontrou-se com outras cinco mulheres, que, como ela, haviam percorrido longas distâncias. Era o momento da sesta. E como o sol estava demasiado quente para fazer outra coisa, animais e pessoas descansavam, e as mulheres podiam ter um pouco de tempo para si. As suas cabeças estavam juntas, e ao longe faziam lembrar formigas. Como tinha muita vontade de comer milho, decidi finalmente mostrar-me.

Quando me viu, ela gritou: - De onde vens tu? Mas as outras mulheres desataram a rir e começaram a mimar-me: - Oh, como é bonita. De vez em quando, quando estava zangada, vociferava uma torrente de palavrões em italiano. O que é isso? E fazia-me sinal para me afastar.

Um dos nossos tios até é embaixador em Londres. Por que é que fugiste com este falhado? Ela explicava-nos que se tinha apaixonado pelo meu pai e que decidira fugir com ele ,para poderem ficar juntos.

Apesar de tudo o que a vi suportar, nunca a ouvi queixar-se. Permanecia silenciosa e dura como o aço. Depois, sem que nada o fizesse prever, fazia-nos rir com uma das suas graças idiotas.

O meu pai aventurava-se periodicamente até a uma aldeia onde vendia um animal para baixar um saco de arroz, tecido para as nossas roupas ou cobertores.

Por vezes, enviava o que tinha para vender por alguém que ia à cidade e também fazia a lista de tudo o que queria baixar em troca. O incenso provém da Boswellia, um arbusto muito bonito que mede cerca de um metro e cinquenta, cujos ramos se abrem vergados fazendo lembrar um guarda-chuva aberto. Em seguida metíamo-lo, em cestos e o meu pai ia vendê-lo. Por vezes vendem em Manhattan incenso tido por verdadeiro. Por vezes partíamos antes do seu regresso, e no entanto ele encontrava-nos sempre sem a ajuda de estradas, sinais indicadores ou mapas.

Por vezes esta tarefa cabia-me a mim. Arranja outra mulher e deixa-me sossegada. Mas um dia ele desapareceu. Após dois dias de ausência, pensamos que tinha morrido. Respondemos-lhe que ela ainda estava a tratar dos animais. Ele dirigiu-nos um grande sorriso: - Bem, ouçam todos! Quero apresentar-vos a minha nova mulher. Ela olhou para o meu pai, sem reparar na rapariga que estava no escuro, e disse-lhe: - Oh, decidiste voltar? O meu pai balançava-se num pé e noutro olhando em volta.

A propósito, apresento-te a minha mulher. E passou os braços em volta dos ombros da sua nova esposa. Trocou-me por esta criança! Inclinei-me para ele e limpei-lhe a cara. Ele bebeu o meu leite. Olhei-a abanando a cabeça. Eu tinha apenas treze anos, mas sabia que ela acabara de cometer um erro fatal.

Eles acenaram. No dia seguinte, a sorte sorriu-nos porque o meu pai partiu por dois dias. Isto parecia evidente a todos. Perguntou-nos onde estava a sua mulherzinha. O olhar do meu pai era desconfiado.

E hoje, viram-na? E ontem? O meu pai entrou em pânico e começou a procurar por toda a parte freneticamente.

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Mas claro que ela disse: - Foi Waris quem teve a iniciativa. Depois disto, a jovem esposa do meu pai tornou-se uma pessoa diferente. Tendo sentido o sangue afluir-lhe à cabeça durante dois dias, penso que as suas ideias estavam agora mais claras; passou a mostrar-se doce e disponível.

O que é que posso fazer por ti? Devias ter-te comportado assim desde o inicio, cabrinha. A flor do deserto floresce onde poucas coisas conseguem sobreviver. As mulheres envolvem-na em seguida em tecidos coloridos, vermelho, rosa, laranja e amarelo, até cobrirem o corpo todo.

Quanto mais tecidos, melhor. Após meses e meses de seca, o desespero apoderava-se de nós. Metade dos nossos animais tinham sucumbido e os outros agonizavam de sede. As pessoas saíram literalmente de toda a parte. No dia seguinte, as nuvens juntaram-se e a chuva começou a cair. Nos dias que se seguiam à chuva, a savana cobre-se de flores douradas e as pastagens tornam-se verdes. Os animais podem finalmente comer e beber até se saciarem, proporcionando-nos a oportunidade de nos descontrairmos e gozarmos a vida.

Nessas ocasiões vamos até aos lagos recém-formados pela chuva para tomar banho e nadar. Para além dos casamentos, temos poucas festas. A chuva que esperamos durante muito tempo é uma das causas principais desse regozijo. O simples facto de olhar para ela enche-me de alegria. Mas os detalhes deste ritual permanecem um mistério para as raparigas, nada lhes é explicado antes da cerimónia.

Quando soube que a velha cigana vinha excisar Aman, quis que ela me fizesse o mesmo. A cigana chegou. Horrorizada, vi sangue escorrer pelas suas pernas e deixar um rasto na areia enquanto ela fugia a correr. Quando as feridas cicatrizaram, Aman ficou separada das outras crianças. Quando voltei a vê-la, perguntei-lhe: -Que tal foi? Depois calou-se. A partir desse momento, temi aquele ritual ao qual teria de submeter-me e que faria de mim uma mulher.

Esforcei-me por afastar do meu espírito aquelas imagens horríveis e, com o passar do tempo, a memória da dor que lera na cara de Aman. Ainda nem sequer foram excisadas! Aqueles insultos perturbavam-me, e jurei encontrar uma forma de lhe calar a boca. Este homem tinha um filho, um jovem adolescente chamado Jamali por quem eu estava apaixonada. Jamali ignorava-me e só Aman lhe interessava. Quando é que vamos tratar do assunto? Eu pensava: É preciso acabar com isto fazer com que esta coisa misteriosa aconteça de vez.

E quis o acaso que a cigana passasse de novo pelas redondezas alguns dias mais tarde. Aguarda-mo-la um destes dias. Estava nervosa, mas impaciente por acabar com aquela história. Ela sentia sempre intuitivamente quando algo estava para vir ou quando ia passar-se algo.

O céu ainda estava escuro; era mesmo antes da aurora, quando o negro se torna imperceptivelmente cinzento. Agarrei no meu cobertor e, semiadormecida, segui-a aos tropeções. O sol levantava-se lentamente e as formas à nossa volta mal se distinguiam. Uma voz respondeu: - Sim, estou aqui Depois, surgiu subitamente ao meu lado. Apontou para uma rocha plana: - Senta-te ali. Nada disso. A Assassina era totalmente profissional. Eu passei os braços em volta das suas coxas. Ela meteu o pedaço de raiz entre os meus dentes: - Morde isto.

Eu estava paralisada de medo à medida que a memória do rosto torturado de Aman ressurgia diante de mim. Mordendo a raiz, murmurei: - Vai doer muito? Tenta ser uma menina bem comportada, meu bebé. Com uns dedos compridos, extraiu do seu interior uma lâmina de barbear partida e examinou-a de ambos os lados. Apesar disso, vi sangue seco nas extremidades usadas da lâmina. Ela cuspiu na lâmina e limpou-a com o vestido. Ouvia o ruído da lâmina que ia e vinha.

Sinto-me como se estivesse a falar de outra pessoa. É-me praticamente impossível explicar o que senti. É como se nos cortassem a sangue-frio a carne da coxa ou do braço, excepto que se trata da parte mais sensível do nosso corpo.

Permaneci deitada como se fosse feita de pedra, dizendo para comigo que quanto menos me mexesse menos duraria aquela tortura. Infelizmente, as minhas pernas começaram a tremer sozinhas sem que eu pudesse fazer nada contra isso.

E rezei: Meu Deus, por favor, faz com que isto acabe depressa. Quando voltei a mim, pensei que tinha terminado, mas o pior ainda estava por vir. Utilizou-os para fazer buracos na minha pele, após o que passou um fio branco sólido e me coseu. Fiquei estendida, completamente só, perguntando-me o que iria acontecer-me em seguida. Virei a cabeça para o rochedo: estava coberto de sangue, como se um animal tivesse sido abatido ali.

Pedaços da minha carne, do meu sexo, secavam ao sol. Assim estendida, observei o sol subir acima da minha cabeça.

Aproximou-se de mim, fez-me deitar de lado e escavou um buraco na areia. Ficava assim garantido que me seria impossível ter relações sexuais antes do casamento, e o meu marido teria a certeza de ter uma mulher virgem. Enquanto a urina, retida na minha ferida em carne viva, escorria gota a gota ao longo das minhas pernas e depois para a areia, comecei a soluçar.

Eu estava cada vez mais fraca, e por vezes perdia a consciência. E eu esforcei-me por lhe obedecer. Quando estava só, deslocava-me alguns centímetros e, rebolando até ficar de lado, preparava-me para a dor lancinante que ia seguir-se.

A dado momento, a minha ferida estava de tal forma infectada que eu era incapaz de urinar. E esperava que a minha ferida sarasse. Qual a utilidade de tudo aquilo? Nessa mesma noite, na tenda famíliar, o meu pai perguntou-me: - Como te sentes?

Suponho que ele se referia ao meu novo estado de mulher, mas eu só conseguia pensar na dor que sentia entre as pernas. Eu tinha cinco anos; limitei-me a sorrir, sem responder nada. Que podia eu saber acerca de ser mulher? Durante mais de um mês, as minhas, pernas permaneceram ligadas uma à outra para que a minha ferida sarasse. Mas, totalmente aterrorizada de voltar a passar por todo aquele tormento, mal me movia.

Tinha pensado nela desde o dia em que aquela mulher me mutilara e durante as longas semanas em que permanecera estendida. Ninguém dizia a verdade sobre a sua ausência: morriam em consequência destas mutilações, das hemorragias, choques, infecções ou tétano. O que é surpreendente é que algumas de nós sobrevivam a tudo isto. Quando eu tinha cerca de dez anos, soube a história de uma das minhas jovens primas, excisada aos seis anos de idade.

Mas antes que os abutres tivessem tempo para fazer desaparecer aquela prova mórbida a família enterrara a rapariga. Estupefacta, vi as silhuetas desaparecerem. Eu tinha cerca de treze anos e Shukrim devia ter catorze.

Perguntei: - Com quem? Repeti a pergunta, que uma vez mais obteve o silêncio como resposta. Os meus pais deram meia volta e regressaram à tenda enquanto eu permanecia no mesmo sítio, debatendo-me com aquelas questões.

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Shukrim ia casar-se! Nunca tinha pensado no casamento ou em sexo. Na minha família, e na nossa cultura, ninguém falava dessas coisas. No que dizia respeito aos rapazes, só pensava em competir com eles para saber quem é que tratava melhor dos animais, quem corria mais depressa, quem era o mais forte.

As raparigas sabiam que se casariam virgens, e apenas com um homem; nisso consistia todo o seu futuro. Se algum tentar fazê-lo, digam-me. Eu estou aqui para vos proteger. Por vós, morrerei se for preciso. Bateu-lhe e depois voltou para o acampamento e contou ao meu pai o que se passara.

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Homem algum tocaria nas suas filhas. Dormíamos como habitualmente ao relento, mas Fauziya estava deitada um pouco afastada de nós. No escuro, vislumbrei a silhueta de um homem que fugia do acampamento. Porco sujo! Ousaste tocar na minha filha! O meu pai começou a bater-lhe, mas o homem sacou de uma faca, uma faca grande de assassino africano, talhada e decorada com motivos como um punhal cerimonial.

Atingiu o meu pai quatro ou cinco vezes entre as costelas antes de ele conseguir afastar a arma e atingi-lo por sua vez com uma faca. Ficaram os dois gravemente feridos. O meu pai conseguiu sair do poço a custo e voltar para a tenda, sangrando e sem forças. O meu pai costumava dizer-nos, a brincar: - Sois as minhas rainhas, os meus tesouros, e guardo-vos fechadas à chave. E tenho a chave comigo! Rindo como um louco, ele respondeu: - Deitei-a fora!

Toda a gente desatou a rir. O meu pai podia esperar obter um bom preço pelas suas filhas virgens, mas tinha poucas hipóteses de conseguir livrar-se de uma filha que tivesse sido conspurcada por ter tido relações sexuais com outro homem.

E foi assim até que soube que a minha amiga Sli—uIain se ia casar. Avancei dois passos, olhando-o desconfiada mas sem dizer nada.

Ele agarrou em mim e sentou-me nos seus joelhos. Agora, eu sabia que algo de grave estava para acontecer. Queria dizer-te que vou sentir muito a tua falta. Ele afastou-se de mim, olhou-me e disse-me numa voz doce: - Sim, minha querida, vais partir. Vais sim, Waris. Encontrei um marido para ti. Levantei-me de um salto. Ele deteve-me agarrando-me pelo braço.

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Vai correr tudo bem, encontrei um bom marido para ti. Agora eu estava curiosa: - Quem? Ele abriu-a, mostrando a palma vazia. Deves acreditar em mim. Eu sei reconhecer um homem de bem quando o encontro. Eu permaneci ali, com os ombros caídos, doente e morta de medo; abanei a cabeça.

Esbofeteou-me com força na cara porque ninguém tinha o direito de lhe responder. Enquanto os vigiava, reflectia naquela nova ideia de casamento. O meu pai amava-o como a um filho e achava que ele era um bom filho para com o seu pai. Provavelmente fora isso que me atraíra nele. Estava sempre a falar em ir viver para a cidade e casar-se com um homem que teria muito dinheiro. Nunca mais ouvimos falar dela.

Quando o sol começou a descer, voltei ao acampamento com o meu rebanho. Mas eu encolhi os ombros, sabendo que o meu pai prosseguiria com o seu plano apesar dos meus protestos.

Ela indicou-me o caminho. Deixa-me em paz!

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Depois de ter fechado as cabras na cerca, comecei a mungi-las. Ainda estava a meio da minha tarefa quando ouvi o meu pai chamar-me. Alimentava uma pequena esperança: talvez o meu pai me esperasse em companhia de Jamali, e imaginei o seu rosto bonito e suave. Fui ter com eles de olhos fechados. Quando finalmente abri os olhos, olhei para o céu avermelhado. O sol desaparecia no horizonte, e vi duas silhuetas à minha frente.

Apresento-te o senhor Os meus olhos estavam cravados num homem sentado, apoiado numa bengala. Tinha pelo menos sessenta anos e uma longa barba branca. Finalmente compreendi que o meu pai falava comigo.

Falei com a voz mais glacial que pude. Nessa noite, pensei no que seria a minha vida se casasse com o senhor Galool. Nunca estivera separada dos meus pais e tentava imaginar-me vivendo sem eles, junto de uma pessoa estranha. Olhei para os raios dourados do sol matinal que traziam vida ao deserto. Fechei os olhos e senti o seu calor na minha cara. Abanei a cabeça: - Bom, pai, agora tenho de ir levar os animais a pastar.

Imaginei a minha vida com aquele velho, os dois perdidos num lugar isolado e deserto, eu a fazer todo o trabalho, e ele a coxear apoiado na sua bengala. Respondi-lhe bruscamente: - Viste aquele homem? O teu pai decidiu que seria assim. Eu sabia que, no dia seguinte ou daí a dois dias, o meu futuro marido viria buscar-me e deixaria em troca os seus cinco camelos.

Vou fugir. E para onde é que vais?